quinta-feira, 15 de abril de 2010

A correr em Paris.



Acordar por volta das 5.30 da manhã, tomar o pequeno almoço equipar-me e por volta das 6.20 já estávamos a caminho, era uma viagem de cerca de 45 minutos desde a zona de Viry-Chatillon ao centro de Paris contando com o muito transito que se faz sempre naquela cidade. Estaciona-mos o carro por volta das 7.10 e já era visível o número de pessoas que se dirigiam para a zona do arco do triunfo onde teria inicio a prova. O frio era agora o principal inimigo e entre tomar uma bebida quente ir à casa de banho despedir-me dos meus acompanhantes estava agora na hora do tiro de partida.
Partia com o objectivo 3.30 horas dai que para passar no tapete de partida demorei cerca de 2 minutos e meio, tempo a contar e lá ia eu cumprir um sonho de correr uma das grandes maratonas mundiais. Cinco km de prova 24.40 minutos estava tudo ok as passagens dentro do previsto mas era muito complicado tentar andar mais o numero de atletas era tal que se tornava perigoso, então pensei vou neste ritmo e vou apreciando os belos monumentos paisagens em suma desfrutar o momento.
Aos 10 km passei com 49.56 minutos o ritmo baixou já levava um atraso de 3 minutos em relação aquilo que me propunha fazer mas as dificuldades continuavam estava um pouco contagiado com o numero de pessoas que assistiam e que iam fazendo uma enorme festa. Estava na hora de começar a reagir e aos quinze km passei com 1.13.45 já tinha subido um pouco mas o problema mantinha-se, nesta zona havia menos público era uma área de parque em que muitos atletas saiam para fazer as suas necessidades, estava agora a fazer contas e sabia que era preciso dar mais que os 23.48 dos últimos cinco km, estes não eram suficientes para me fazer cumprir o meu objectivo. Meia maratona nesta altura existia muito público a estrada era cada vez mais estreita o tempo não era famoso com 1.42.13 eu sabia que ou andava mais rápido ou o objectivo de bater o meu recorde pessoal estava hipotecado, em suma com este tempo eu apenas faria igual ao meu melhor e não podia quebrar como me aconteceu nas maratonas anteriores, mas eu estava agora muito confiante o meio da prova já tinha passado e eu estava melhor que nunca.
Km 25 o tipo de paisagem mudou estamos agora junto ao rio Sena numa zona de túneis com algum sobe e desce andava agora na casa dos 4:30 por km com a minha passagem aos 25 em 2:00:36 estava agora a começar aproximar-me do objectivo mas sabia que a corrida só começa a sério depois dos 30 km. Nesta fase da prova qualquer incentivo pode mudar o curso da corrida e eis que de repente numa das saídas de um dos muitos túneis oiço alguém chamar por mim era o meu amigo Xandito que me tentou tirar uma foto mas eu ia com muita pressa nesta fase da prova.
Aos 30 Km passei com 2:23:48 os últimos cinco foram feitos em 23:10 e continuava como uma alface, mas algo me dizia que estava na hora de gerir o esforço começava agora a ver-se inúmeros atletas a irem a passo e eu continuava no meu ritmo, já só pensava em chegar sabia que ali era o ponto critico se o passa-se bem tudo seria mais fácil.
No km 35 começava a notar algum esforço mas nada de anormal os últimos cinco km foram feitos em 23:50 o que denotava um ritmo forte para esta altura da corrida e ao passar em 2:47:38 estava agora dentro do meu objectivo teria que gerir o esforço até ao fim. Faltavam agora cerca de sete km e para quem anda nisto sabe que alguma ansiedade se começa a apoderar nesta fase em já estamos próximos do fim mas 7 km e é um bom bocado.
Nesta altura e já próximo dos 40 km vejo alguém com uma bandeira Portuguesa gravada nas costas da sua txirt, um Português finalmente que me fez companhia. Pedro é um jovem de Coimbra que estava a perder algum gás e comigo fez os últimos 2.5 km até muito perto da meta, na rotunda que antecede a chegada o Pedro disse-me para seguir que iria tentar encontrar a família e eis que do outro lado a minha esposa mais o Alexandre gritavam pelo meu nome era a apoteose final e lá fui fazendo algumas poses, mas ainda faltavam uns metros cerca de 200 toca a acelerar.
Na meta olhei o relógio 3horas 22 minutos e 39 centésimos tinha conseguido o objectivo mas mais importante que bater o recorde foi a forma descontraída com que fiz toda a corrida essa parte sim tem valor porque significa que quanto mais velho estou melhor é a minha performance.

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